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2.5.06

Especialistas refletem sobre software livre

A atual fase em que vivemos é marcada por uma mudança de paradigma que vem causando muita polêmica.

Uma das primeiras iniciativas neste sentido ocorreu em 1985, quando integrantes do MIT (Massachussets institute of Technology) fundaram a Free Software Foundation, com o objetivo de promover e estimular o desenvolvimento de softwares livres, ou seja, programas onde o usuário tem acesso ao código do software, permitindo que o mesmo faça alterações de acordo com suas necessidades pessoais.

Foi a Free Software Foundation quem criou a Licença Pública Geral que ficou conhecida como Copyleft (contrapondo a outra licença denominada copyright). Ela garante que todo material sob essa licença não seja indevidamente patenteado. Ela pode ser aplicada a qualquer material onde os direitos autorais são pertinentes: softwares, livros, músicas, etc.

Diversos programas surgiram a partir dessa ideologia promovida pela Free Software Foundation mas foi Linus Torvald, até então um mero estudante finlandês, quem promoveu a revolução do mercado de softwares que vemos ocorrer nos dia. Em 1992, a partir dos diversos softwares livres já desenvolvidos até então, Linus conseguiu reuni-los num único módulo, dando origem ao sistema operacional Linux (Linus for Unix).

Apesar de Linux Torvald ser o principal responsável, sabe-se que o linux foi desenvolvido a partir da colaboração de mais de 400 mil pessoas espalhadas por todo o mundo. Desde estudantes até profissionais da área de informática empenharam horas desenvolvendo um sistema operacional que fosse gratuito. Por ter seu código aberto, o linux pode ser modificado e aprimorado por qualquer pessoa. Quando uma modificação realmente resulta numa melhoria do sistema, ela é incorporada à distribuição oficial. Desta forma é um software que sofre constantes aprimoramentos, numa velocidade difícil de ser acompanhada por uma empresa privada que fica restrita aos aprimoramentos desenvolvidos unicamente por seus funcionários.

Este sistema operacional começou a ganhar adeptos a cada ano. Hoje já mais da metade dos servidores espalhados pela internet no mundo todo funcionam com base no sistema operacional linux. Quando você acessa um site na Internet, há mais de 50% de chance de você estar acessando um site instalado sob um sistema operacional linux. Porém na outra ponta, ou seja, os usuários da Internet, ainda utilizam, na sua maioria, sistemas operacionais patenteados, base para ambientes gráficos como o Windows.

Para ganhar o mercado dos usuários comuns, os adeptos do software livre precisam ainda aprimorar o linux e os softwares que trabalham sob esse sistema pois a instalação de um software no sistema operacional linux costuma ser complicada demais para o usuário leigo. Porém é esta a preocupação atual dos desenvolvedores, que vêm obtendo excelentes resultados nesse sentido. Hoje já existem algumas versões do linux que possuem uma interface gráfica para a instalação, permitindo que o próprio usuário realize a tarefa de instalar o novo sistema operacional em seu computador. Estas distribuições do linux costumam ser acompanhadas de ambientes gráficos muito semelhantes ao Windows, além de aplicativos como editor de texto, planilhas, navegadores, leitores de e-mail, enfim, todos os principais softwares utilizados pelo usuário comum.

Estes pacotes contendo o sistema linux e todos os demais aplicativos, são distribuídos por empresas como a brasileira Conectiva que não procura obter lucro diretamente sobre a venda do pacote, já que se trata de softwares livres, mas sim através dos diversos serviços que oferece como suporte aos novos usuários que surgem a cada vez que uma distribuição do linux da Conectiva é instalado. É uma nova lógica mercadológicas que estamos vendo nascer. As empresas que atuam nesses mercados e portanto, são afetadas diretamente, deverão necessariamente vislumbrar um novo posicionamento, ou tenderão a desaparecer.

No caso do Brasil esta nova lógica de mercado, este novo paradigma do software livre parece ser uma fórmula interessante para solucionar problemas como a exclusão digital. Diversas ONGs (Organizações não governamentais) já possuem projetos em andamento que incluem a utilização do sistema linux como forma de reduzir o investimento necessário para colocar em prática seus projetos.


SILVEIRA, Sergio Amadeu da. CASSINO, João (org.).
Software Livre e Inclusão Digital. São Paulo: Editora Conrad, 2003. 339 pgs.


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Éric Eroi Messa é Professor da Faculdade de Comunicação - Publicidade e Propaganda - FACOM/FAAP e do MBA Profissional - Master em Tecnologia Educacional - CECUR/FAAP. É sócio-diretor da High Performance - Marketing Interativo. E-mail: eric.eroi@messa.com.br


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“Especialistas refletem sobre software livre”, Jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo: OESP, Cad. Informática, pág.: I2, 06/10/03